segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Dhikr (zikr) é mais do que palavras


Por Mestre Mohammad Abdullah Ansari

Tudo é energia, tudo o que existe no mundo são diferentes formações de bytes de energia, aspectos, atributos e poderes da Realidade Infinita Divina. Vemos neste momento um turbilhão dessas energias agitadas, energias negativas chocando umas com as outras. As energias divinas não são boas e/ou más, é o seu uso que as tona boas ou más.

Nós somos visitantes de outra dimensão. Podemos ser vítimas desses choques ou sermos livres e não sermos afetados. É uma questão de sintonização. Temos a possibilidade de sintonizar com as frequências deste mundo conflitivo e tormentoso ou sintonizar com a frequência de outra dimensão, nosso verdadeiro lar. Dhikr significa focar na, sintonizar com a, energia da Fonte Consciente. Podemos sentir a Deus ou sentir as energias agitadas do mundo. Sentir a Deus, a Energia Divina, dhikr, lembrança, consciência, cria uma aura de proteção ao redor do corpo e da mente e acalma as emoções.

Há algum tempo escrevi:
“O que significa dhikr (zikr)? Dhikr significa lembrança, nossa prática é dhikr Allah, lembrança de Allah. O que é Allah (Deus)? É a energia consciente que sustêm a existência. Onde está essa Força Divina? Dentro de tudo o que existe e isso nos inclui, Deus reside em cada célula dos nossos corpos. Muito embora, geralmente, o dhikr se refira à meditação na qual repetimos os nomes de Allah sozinhos ou em grupo e também durante o dia repetindo frases como ‘Alhamdulillah’, ‘Subhanallah’, ‘Bismillah’, ‘Mashallah’, e etc., mais importante [ainda] – dhikr significa lembrança! Lembrança implica consciência, estar alerta, desperto. Onde está Deus? Em nosso corpo, cérebro, olhos, no ar que respiramos...”

“TRANSMITE [aos demais] o que te foi revelado desta escritura divina, e seja constante na oração, pois, certamente, a oração refreia [ao homem] das ações desonestas e de quanto atenta contra a razão; e a recordação de Deus (dhikr) é na verdade o maior [bem]. E Deus a sabe tudo o que fazeis.” (Alcorão 29:45)

Dhikr significa manter uma consciência de Allah, a Força Essencial, em todo momentos ou o quanto pudermos. Consciência. O que significa consciência?

Deus, Allah, Yahveh, Brahma, ou como você quiser chamar essa Força Consciente, pôs em marcha um Sistema de leis, físicas e sutis, uma ciência que podemos usar em nosso benefício ou rejeitar em nosso detrimento. Ali está a chave, Deus nos deu a escolha de sintonizar com Ele ou com as forças enganosas do mundo material. Uma escolha conduz a uma consciência elevada, sabedoria, progresso espiritual, e a outra escolha nos leva ao estancamento, atrofiamento e um estado de repetição – você acredita que existam movimento e mudanças neste mundo, mas é tudo uma ilusão, a superfície, as formas parecem mudar, mas essencialmente é a mesma coisa uma e outra vez.

Tudo o que digo você poderia ver se estudasse essa ciência da existência e se colocasse em prática o dhikr em seu sentido mais amplo, uma sintonização positiva com a Realidade. Continuaremos, inshallah.

domingo, 19 de novembro de 2017

O Pomar de Mangas


Por Sheik Mohammad Abdullah Ansari

Um professor foi até um pomar de mangas e começou a estudar as folhas e os galhos no chão. Notava os diferentes tons de cor das folhas e a espessura dos galhos, as posições relativas um dos outros e os estados de decomposição e caracterizou-os e anotou tudo.

Outro dia voltou com um grupo de estudantes e começou a explicar sobre as folhas e os galhos. Os estudantes o escutaram com atenção e muito interesse, exceto um mais inteligente que pegou uma manga e começou a comê-la.

Vemos algo semelhante na religião e nas sendas espirituais de hoje em dia, vemos isso também em nossa senda, o Sufismo. Há pessoas que estudam a religião, todos seus aspectos e ramificações, quando começou, com quem e onde. Estudam as influências antes e depois. Estudam as práticas e tudo o que dizem os sábios do passado, como isso afetou as sociedades e como foi incorporada na vida cotidiana das pessoas e nas políticas do governo.

Estes historiadores sabem toda a história e muitíssimos fatos da religião e/ou caminho espiritual. Há outras pessoas que leem os livros dos historiadores, se identificam com a religião, ou senda analisada, e a adotam como sua.

Tudo isso é parte de um labirinto de ensinamento que é necessário para algumas pessoas, leem e estudam e, se é o seu momento, deixam tudo isso para provar a manga, fazer o trabalho, como quando Hazrat Yalaluddin Rumi, um renomado e destacado mestre do Islã, conheceu Shams-i-Tabrizi e jogou fora todos seus livros para embarcar na mera prática. A fruta não é encontrada em nenhum livro ou lindos ditos, mas na prática.

Os livros e mestres despertam o interesse, a necessidade e apontam o rumo, mas o indivíduo tem que fazer o trabalho sozinho. Muitas pessoas nunca deixam de ser observadoras, estudantes na superfície do caminho espiritual sem provar o fruto, desfrutam os fatos e detalhes frios imaginando ter chegado numa parte do caminho.

O Sufismo é um caminho de ação e trabalho. A senda espiritual é um trabalho interior de tempo integral, de aprendizagem pessoal e de conhecer-se a si mesmo. Toda a verdade é encontrada dentro [de nós] com dhikr (mantra), introspecção, contemplação, meditação, auto-observação e observação do mundo. Os mestres existem para estimular e explicar de forma geral o caminho do estudante, mas o trabalho é o estudante que tem que fazer.

Hoje em dia tudo é superficial, música pop, cultura pop, psicologia pop e até Sufismo pop. Não caiam nisso, vão ao miolo, provem a manga, comam o fruto. Deus reside em tudo, mas há uma capa pop criada dos egos do ser humano ocultando a Verdade. Para vê-la a pessoa tem que despertar e manter-se desperta.

Leiam para se manterem rumo à meta, mas não esperem encontrar a “iluminação” num livro. Leiam para se animarem, mas nada se compara com o que alguém pode encontrar dentro de si mesmo. O Anjo Gabriel visitou ao Profeta (s.a.w.s.), abriu seu peito e colocou em seu coração um livro, o livro do conhecimento. Essa mesma coisa aconteceu com os outros profetas e pessoas iluminadas ao longo da história. Este mesmo ensinamento sempre existiu, não começou com o Sufismo e com o Islã. De fato, os nomes limitam o entendimento da realidade. Sou muçulmano e sufi não porque sejam os únicos caminhos, mas porque foram as últimas revelações da Energia Divina, os mais atualizados (ou menos alterados). Como diz o Tao Te Ching, “Aquele que pode explicar-se com palavras não é o Tao”. Na realidade não podemos ser muçulmanos e sufis, somos só viajantes e, rumo à conexão, a unificação com o não explicável.

sábado, 18 de novembro de 2017

Fanatismo Religioso


Por Mestre Mohammad Abdullah Ansari

Há algum tempo budistas de Myanmar destruíram uma mesquita muçulmana. Os budistas geralmente são conhecidos como pacifistas. Na Índia, hindus também destroem mesquitas e matam muçulmanos assim como perpetuam atos violentos contra budistas. A Índia é conhecida como o país mais tolerante e com maior liberdade religiosa do mundo. Os muçulmanos destroem estátuas do Buda. Tanto muçulmanos quanto cristãos fanáticos batem e matam homossexuais. Os cristãos nos EUA queimam mesquitas assim como igrejas de negros. O cristianismo é a religião de amor, paz e perdão. Os judeus de Israel cometem crimes e atrocidades contra os muçulmanos da Palestina. Os muçulmanos sunitas matam muçulmanos xiitas. Durante a inquisição os católicos assassinaram milhões de pessoas “em nome de Deus”.

Poderíamos continuar, há muitos outros exemplos, mas é melhor parar por aqui. Como é que as religiões fundadas por meio das revelações de Deus criam fanáticos dispostos à violência e atos contrários aos próprios princípios da própria religião?

É uma questão de foco. Qual é a razão ou propósito da religião? As religiões foram construídas como métodos para colocar em prática as revelações divinas que um profeta recebeu. A religião não foi criação de Deus, mas do homem. Deus ou Força Energética Consciente revelou a ciência de como o ser humano pode sintonizar com a frequência divina, harmonizar-se ou unir-se com a Realidade e, então, um sistema que chamamos religião se desenvolveu. A verdade é uma, sem país, raça ou idioma, mas as religiões refletem culturas e inclinações humanas.

Com o tempo as pessoas se apaixonam pela religião no lugar do propósito da religião – a religião no lugar de Deus. Chama-se identificação e identificação extrema se caracteriza como fanatismo. Os primeiros sinais do fanatismo são o foco nas aparências, uma forma de se vestir identificando com uma ou outra religião, símbolos e adornos “religiosos”, oração em público e outras expressões de “religiosidade” realizadas para ser visto.

O fanatismo alcança seu apogeu quando a pessoa crê que tem que converter o mundo todo para sua religião, ou forma de religião, forçando as pessoas. Já não tem nada a ver com Deus, é uma exageração de egocentrismo, materialismo, e confundir a realidade com fantasia é uma forma de esquizofrenia.

Deus revelou a mesma ciência a todos os profetas, chama-se Submissão, submissão a Deus ou à Realidade, ou outra maneira de expressar seria aceitação, aceitar nossa dependência de Deus e nossa realidade no esquema universal. No estado de aceitação uma grande carga sai de cima da pessoa e ela se conecta com a frequência divina. A frequência divina é o amor e é adquirido com a morte do ego.

Nada acontece automaticamente. O amor é a ausência do ego, mas a ausência do ego é obtida com amor – o amor real mata o ego. O amor é uma escolha.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Quem somos?


Por Mohammad Abdullah Ansari

Todos os problemas tem sua origem no fato de que não somos um, mas muitos: somos uma legião, dentro de nós há um cabo de guerra entre entidades que fingem sermos nós. Fomos alguma vez integrados e balanceados, no princípio quando Deus nos criou no mundo da criação, o mundo no qual Deus criou toda a humanidade e tudo o que vai acontecer em potencial. Deus nos mandou para este mundo e vida para conhecê-lo, crescermos e desenvolvermos a perfeição que Ele quer de nós – o insan-i-kamil. Todavia, a maioria das pessoas esquecem rapidamente de onde provêm e sua tarefa aqui; alguns poucos sim têm um vislumbre de recordação que lhes impulsiona a buscar a verdade. Esta busca começa com o conhecimento de quem somos e a psicologia real do ser humano, bem como das causas de seu esquecimento e, consequentemente de seus problemas e dificuldades na vida – como disse Jesus: “[...] a verdade vos libertará”.

Pelo esquecimento de seu propósito e missão original neste mundo/vida o homem/a mulher se apaixonou pelo mundo (sua primeira distorção emocional, a da perversão do amor) devido a uma sensação inconsciente da carência inata. Este estado de ser põe em movimento as outras emoções e a inércia toda conta de tudo. Como na física, a energia está sempre vigente – uma coisa em movimento continua em movimento até que se encontra com uma força opositora que a impede ou desvia e tende a aumentar. As emoções crescem e aumentam até chegarem num ponto em que toda a realidade e percepção são distorcidas e a pessoa chega a um estado de irrealidade em que realmente não atua por si mesmo, é só uma máquina que não pode iniciar nenhuma ação própria.

Contudo, sua realidade, nossa realidade, ainda existe, é o nosso núcleo, mas está coberta, escondida, obscurecida por uma ilusão, uma imagem de ser, o ego, uma personalidade falsa criada pelo “medo original”, a sensação inconsciente da separação e proteção de Deus, a verdadeira Realidade da Existência. O ego toma o lugar de Deus, de uma forma falsa, se faz Deus e perpetua atos contínuos de “mecanismos de defesa” em defesa de si mesmo, do próprio ego, uma ilusão criada, e assim o indivíduo vive uma espécie de sonho.

Nosso trabalho é tirar tudo o que nos separa de nossa realidade, o ser real, a conexão com a guia e o conhecimento da Divindade. O primeiro passo é conhecer o inimigo, temos que conhecê-lo primeiro para então eliminá-lo.

Nossos pensamentos e reações emocionais criam nosso mundo pessoal que pode ser, pelo menos em parte, uma fantasia, uma ilusão. Para vermos a realidade devemos questionar cada pensamento, emoção e analisar sua origem. Primeiramente dedemos adquirir consciência da presença das emoções negativas que todos temos dentro [de nós]. Medo, raiva, inveja, avareza, arrogância, orgulho e mais, todos temos características (pelo menos) dessas emoções – inclusive as pessoas muito avançadas espiritualmente têm pitadas [traços] de emoções negativas, que integram o corpo, e por isso não podemos baixar a guarda. Cada situação ativa emoções e pensamentos. Devemos estar alertas, observando a qualidade das emoções e pensamentos, só assim poderemos nos esquivar do ego e chegar ao núcleo essencial do ser, nossa Realidade, a conexão divina.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Criados de uma única Alma - Parte 2


Por Mohammad Abdullah Ansari

“E Ele é quem vos criou a partir de uma única Alma, uns constantes em sua fé e outros inconstantes.”
(Alcorão Sagrado 6:98)

Tudo brotou de uma única semente, uma faísca do próprio Deus, isto é, da Energia Divina. Essa semente se dividiu e gerou toda a humanidade, todos nós somos de uma [única] família, irmãos e irmãs.

“[...] Estamos mais perto dele do que a sua artéria jugular.” 
(Alcorão Sagrado 50:16)

Rassulallah (o Profeta do Islã) disse:

“Tenha compaixão com todas as pessoas na Terra e assim Deus terá compaixão contigo.”

“Deus é compassivo e gosta de compaixão – Ele da às pessoas compassivas o que não da às pessoas inflexíveis.”

“Neste planeta há inumeráveis seres vivos, mas muito poucos sabem colocar-se no lugar dos demais. Esta prática pode ser muito difícil, mas é extremamente valiosa. Se você a realizar, lhe ajudará a solucionar todos seus problemas. Mudar desta forma sua atitude transformará qualquer infelicidade que você encontrar no caminho aprazível à libertação.” 
(Lama T. Yeshe)

É claro que isso de nos colocarmos no lugar dos outros é filosofia popular, muitos refrãos se referem a isso, mas ainda que quase todas as pessoas sensatas concordem com isso, quantas pessoas colocam em prática? Não muitas. Provavelmente porque não entendem a ciência dela e também é difícil fazê-lo por um tempo prolongado.

De um ângulo prático, físico, material, dirigir a mente em direção a trabalhos específicos abre ou expande nosso conhecimento da realidade. Deixando o cérebro livre ele cai preso de todo tipo de influências exteriores e interiores, assim como emoções egocêntricas. Controlar e dirigir o cérebro e os pensamentos cria uma dualidade, seu ser real vendo e controlando a parte semirreal, material, mundana. Quanto mais ficarmos neste estado, mais conseguiremos a guia divina que passa através do coração e da mente real.

Como o Alcorão diz e falamos na primeira parte desta série, todos somos criados de uma única alma, todos somos partes de uma única realidade, todos estamos conectados. Sentir a realidade deste fato é um requisito para entender o mundo, o universo e nos conectarmos com Deus.

Todo mundo está sofrendo seu inferno particular, geralmente sem saber, inconscientemente, e isso provoca suas atitudes e conduta. Ainda que pareça o contrário, as pessoas, inclusive os maus, não sabem o que estão fazendo, não querem causar dano. Devido ao controle do ego ou personalidade falsa, inclusive as boas pessoas estão fora de controle pessoal, estão sujeitas a influências alheias.

Sentir a situação, as atitudes e sofrimento de outras pessoas cria uma conexão, nos torna maiores e, ainda que pareça uma contradição, reduz nosso sofrimento – amamos a Deus, à Consciência Universal, por meio de Sua criação e [Ele] nos ama através de Sua criação. Continuaremos, inshallah.

Resposta do Sheik a um estudante que perguntava sobre a iniciação sufi (bayat)


Salam alaikum J… –

O bayat (cerimônia de iniciação) é, na verdade, só uma formalidade. A conexão entre o mestre e o estudante é criada por eles mesmos. Se o mestre ou o/a estudante esquece um ao outro, ou se não sentem a conexão, o amor, o bayat não significa nada. Por outro lado pode existir uma sensação de conexão, quer seja amor, inclusive sem o bayat, e é real.

Na verdade, muitos dos meus “estudantes”, pessoas que leem os meus textos e fazem perguntas, “pertencem” a outras tariqas.

Lembre-se da diferença entre a religião formal e o Sufismo – a religião formal consiste em regras e rituais, hábitos que as pessoas praticam sem pensar muito, enquanto que no Sufismo, assim como nas sendas iguais [a ele] do passado, as sendas são (ou devem ser) para pessoas que querem uma experiência pessoal com Deus, um caminho “feito à medida”. Infelizmente, hoje em dia, vemos que muitas tariqas já são mais ou menos como as religiões formais, aparências e hábitos.

O amor é uma frequência divina, é a frequência que cria uma conexão entre uma pessoa e Deus, assim como entre duas pessoas. O que chamamos rabita, que traduzimos como conexão, é na verdade a sintonização com a frequência divina de amor dirigida à uma pessoa específica ou mesmo a Allah.

O sheik, mestre, sente amor por seus estudantes. Bem, por todo mundo, mas quando o estudante retorna o amor, isso produz um laço, o estudante entra no campo energético do mestre e isso torna o caminho do estudante mais suave e fluido.

Então, o caminho sufi consiste em rabita – amor, sintonização com a frequência divina; trabalho – uma meditação de dhikr diária, mais outras práticas; e uma batalha constante contra o nafs/ego.

O verdadeiro Sufismo é interno. É uma senda difícil porque tratamos de não nos apegarmos a imagens ou aparências externas. As pessoas têm suas imagens religiosas (ou assim crê) porque é mais fácil fazer culto a tais coisas do que a algo que não possamos ver. Mas essas coisas são materiais e o adorar ou concentrar-se em coisas materiais causa uma rigidez tanto física quanto espiritual na pessoa que a torna “impenetrável” energeticamente, o que quer dizer, que põe uma barreira entre ele ou ela e a frequência divina.

Tudo é energia. A solidez do mundo e de nós mesmos é uma ilusão, mas a mente pode densificar tudo fazendo separações onde na realidade não existem; todos nós estamos unidos, conectados, mas para experimentar isso a pessoa tem que trabalhar.

Não se preocupe, existe uma conexão, estou com você. Se você quiser fazer o bayat comigo, não tem problema, mas lembre-se que é só uma formalidade. O verdadeiro bayat é interior. Só por expressar o desejo de continuar comigo é suficiente. Se você também quer uma designação de dhikr, avise-me.

Salam e wadud,

Sheij Mohammad Abdullah

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Criados de uma única Alma


Por Mestre Mohammad Abdullah Ansari

“E Ele é quem vos criou a partir de uma única Alma, uns constantes em sua fé e outros inconstantes.”
(Alcorão Sagrado 6:98)

“Dele dependem todas as criaturas nos céus e na terra; [e] cada dia se manifesta outra faceta.”
(Alcorão Sagrado 55:29)

Tudo brotou de uma única semente, uma faísca do próprio Deus, isto é, da Energia Divina. Essa semente se dividiu e gerou toda a humanidade, todos nós somos de uma [única] família, irmãos e irmãs.

“[...] Estamos mais perto dele do que a sua artéria jugular.” (Alcorão Sagrado 50:16)
Onde está Deus? Deus está dentro de cada um. A força que chamamos Deus, uma Realidade além de [qualquer] descrição ou limitação, reside em nós, nos bons e maus, nos iluminados e ignorantes. Como é que a Divindade habita dentro dos maus e ignorantes? “[...] uns constantes em sua fé e outros inconstantes.” Nossa Realidade, a parte de Deus que forma nosso núcleo, está coberta pelo ego, um indivíduo falso criado pelo apego mundano e pelo condicionamento familiar, cultural, social e mais, uma irrealidade que nos cega, nos densifica, nos faz impenetráveis, tanto que a Verdade não pode entrar em [chegar até] nós. Onde você pode encontrar a Deus? Estamos rodeados por Deus, está em cada pessoa com quem nos relacionamos. Você pode ver e se relacionar com a sua personalidade falsa ou pode ver as partículas divinas que constroem tudo o que existe.

“Ama o teu inimigo”, disse Jesus (assim como todos os profetas), mas, como? O mestre Jesus pôde, mas nós não somos santos, então, como poderemos amar a um inimigo ou a uma pessoa má? Se só vemos a superfície, o indivíduo criado pelas circunstâncias da vida, o indivíduo em uma etapa inicial de sua vida eterna, só veremos a casca dura e isolada da realidade sutil e que flui. Mas a verdadeira realidade não é assim. A solidez do mundo e de tudo nele, incluindo a nós mesmos, é uma ilusão. Somos feitos de átomos – os átomos não têm substância material, e, muito menos, nós. Tudo é energia. Ainda que a matéria seja construída de componentes, os componentes mais básicos do universo são aspectos ou atributos de Deus (Allah), os [Seus] nomes. São como as cordas da teoria das supercordas da ciência quântica – a verdadeira base de tudo. Então, pode chegar um momento em que, no lugar de ver a casca dura das pessoas e do mundo, veremos pura energia divina, remoinhos de movimento vibratório, ondas de frequências não visíveis para os olhos normais, mas sim visíveis aos olhos internos. Ao ver as pessoas assim você poderá sentir o amor real porque estará vendo ao próprio Deus. O mundo é uma manifestação de Deus, mas tudo está enterrado embaixo de um véu ilusório criado pelas fantasias do homem.

Deus nos deu livre arbítrio nesta etapa de nossa vida, em nosso tempo na terra, para aprender a ver Sua realidade. Temos que escolher ver. Primeiro, temos que decidir que queremos ver e, então, decidir realizar o trabalho necessário. Temos que retirar a casca que nos separa de nossa realidade. Cada pensamento negativo, cada emoção negativa, toda inclinação, criam capas duras encima do núcleo interno, nossa realidade, o ser real. Esse processo negativo se manifesta de forma física, o corpo se torna rígido e a energia vital se paralisa a e a mente se fecha. O corpo está composto de uma ampla gama de frequências que ressoam com frequências externas tanto positivas como negativas e daninhas. São nossas atitudes e nossas decisões que determinam com quais [frequências] nos sintonizamos. Estar consciente do corpo, das sensações, das emoções e dos pensamentos é primordial no trabalho que nos levará à revelação divina, a habilidade de ver e sintonizar com a Realidade.

Dhikr (zikr) é mais do que palavras

Por Mestre Mohammad Abdullah Ansari Tudo é energia, tudo o que existe no mundo são diferentes formações de bytes de energia, aspect...